Dons e Ministérios: fontes e desafios

Breve Histórico dos Cultos Evangélicos no Brasil

RESUMO: HAHN, Carl Joseph. História do culto protestante no Brasil. São Paulo: ASTE, 1989. 
p.311-333 “O Desenvolvimento do Culto nas Igrejas”.
Segundo Carl Hahn, pastor desde 1930 é no culto que o povo de Deus recebe orientação para viver e cumprir sua missão no mundo. O mundo está em constantes mudanças e é por esta razão que a Igreja deve se inspirar e orientar nas missões do Deus vivo e eterno - missio Dei. Embora estas mudanças possam exigir novos métodos e formas na vida do povo de Deus, sua missão não muda.


Aceitar a soberania de Jesus Cristo e compreender o plano de Deus neste mundo é tarefa da Igreja, e esta conseqüentemente se encarrega da mesma tarefa em relação ao mundo. O autor destaca o crescimento da Igreja Evangélica no Brasil, onde a fé evangélica encontrou solo propício. Ele destaca um estudo sobre a situação religiosa no Brasil, registrado no livro A República do Brasil (Erasmo Braga e Kenneth Grubb) observando que as Igrejas Evangélicas têm gasto muito de suas energias na sua autopropagação. Há sinais de descontentamento com o atual tipo de culto público e o baixo intelectualismo no púlpito. A vida de oração é pobre. Esta observação fez concluir que haviam sérias deficiências nos cultos dominicais. Em sua tese de doutorado “Cultos evangélicos no Brasil: origens e desenvolvimento” Carl Hahn destaca a falta de liberdade religiosa evangélica (1810). Somente após a Independência do Brasil, promulgada em 1824 a nova constituição avançou quanto à liberdade religiosa. Este direito nem sempre foi reconhecido e observando pelas autoridades locais. Aos poucos o ambiente foi se tronando mais tolerante, liberal e aberto.
Alguns missionários estrangeiros, metodistas e presbiterianos começaram a pregar em navios, até que o capelão americano James Cooley Fletcher tornou-se amigo pessoal do Imperador Dom Pedro II e dos homens importantes do governo, o que contribuiu muito para criar um ambiente de aceitação do protestantismo.
O missionário escocês Robert Reid Kalley, contribuiu muito para abolir a proibição de se evangelizar no Brasil. Em 11 de julho de 1858, batizou um brasileiro (Pedro Nolasco) e declarou organizada a primeira igreja evangélica do Brasil, em Petrópolis (RJ). Perseguido e ameaçado de ser deportado, escreveu uma carta a três importantes juristas brasileiros, questionando os quanto à liberdade religiosa expressa na constituição de 1824, os quais lhes foram favoráveis, e o governo concordou que os cultos do Dr. Kalley estava dentro dos preceitos da atual constituição. Era uma conquista legal que permitiu ao protestantismo viver e crescer no país. Seus cultos eram informais, domésticos, - modelo fixado pelo protestantismo nos anos de sua formação. Este estilo e trabalho contribuíram grandemente para a expansão e auto propagação dos evangélicos. Quando ameaçado de ser deportado chegavam no Brasil novos reverendos presbiterianos. Ashbel Green Simonton (RJ) e Edward Lane (Campinas).
Os metodistas voltaram ao Brasil em 1878 e os batistas começaram seu trabalho em 1881.
Em 1889, com a Proclamação da República, instaurou-se a separação entre a Igreja e Estado e a plena liberdade religiosa. Missionários de todo mundo começaram a chegar e hoje são em grande números. Fundaram denominações autônomas e fortes, com sólidas instituições e infra-estrutura. Um catolicismo mais folclórico do que cristão deixou marcas permanentes nas atitudes e perspectivas religiosas da nação. Para enfrentar as necessidades espirituais, surgiram irmandades leigas desprovidas de preparação adequada na fé ortodoxa da Igreja Católica Romana.
Os escravos africanos trazidos para o Brasil eram batizados em massa na Igreja Católica Romana, mas praticavam as crenças e superstições da África clandestinamente, as quais posteriormente, com a abolição da escravatura deram origem a Macumba e ao Candomblé. As práticas destas religiões e seitas se misturaram. A capacidade de incorporar e harmonizar crenças e lealdades antagônicas, contraditórias e herança das raízes africanas que exerceu influência sobre o caráter do povo.
Esta característica é um dos grandes problemas enfrentados no culto evangélico brasileiro - um vez no culto evangélico não pode haver divisão de lealdade e crenças. O povo evangélico só pode se render a nosso Senhor Jesus Cristo.
O grande problema da vasta extensão geográfica no Brasil que afligiu a Igreja Católica Romana (abordado na obra do padre Pascoal Lacroix) também afetou o povo evangélico. O fato de falta de pastores para cuidar do povo desenvolveu um padrão de culto leigo sem sacramentos e com limitada estrutura.
A influência do positivismo francês e da maçonaria entre as elites contribuiu para o enfraquecimento da autoridade do clero romano  conseqüentemente  mais liberdade para o povo evangélico.
O Dr. Lane selecionou líderes leigos, chamados “leitores da Bíblia” para dirigirem cultos simples aos domingos. Para auxiliá-los editava mensalmente uma revista, O púlpito evangélico, com estudos bíblicos e um sermão para ser lido ao povo. A ele, deve-se a fundação do Colégio Internacional transferido posteriormente para Lavras, chamado ali de Instituto Gammon, a primeira escola evangélica da América do Sul. Morreu em 1892, na epidemia de febre amarela.
Modesto P. B. Carvalhosa, pastor ordenado em 1871, preparou um Manual de Culto e Livro de Ordem para a Igreja Presbiteriana no Brasil, que ajudou e orientou pastores leigos. Usados ainda nos dias de hoje demonstra a influência leiga sobre os cultos.
João Fernandes Dogama, missionário que atuou como um bispo, organizou e evangelizou seis igrejas.
A igreja leiga persistiu por muitas décadas.
O Brasil foi aberto à imigração protestante e aos missionários juntamente quando o movimento das escolas dominicais nascia na Inglaterra. No novo mundo, estas escolas dominicais tornaram-se núcleos de novas igrejas. A escola dominical tornou-se não apenas uma igreja dirigida para leigos mas uma escola de treinamento de pastores leigos. Através deste processo, grande números de leigos destacaram-se na obra de evangelização. Com zelo, consagração e grandes sacrifícios os leigos responderam ao grande desafio da evangelização. Através de reflexão, de buscas das profundas riquezas das doutrinas de Deus, o ministério pastoral foi se edificando e firmando suas bases na vida espiritual.

Conclusão: O Culto Evangélico no Brasil foi difundido através do ardor dos missionários estrangeiros que com empenho e determinação preparam e instruíram leigos que se tornavam líderes de novas igrejas evangélicas. A escola dominical fundamentou a prática teológica de muitos leigos e permitiu o crescimento espiritual e pastoral destes leigos.

Comentários